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Curiosidades da Ciência e Tecnologia: O teste de Turing- máquinas podem pensar?


Bem-vindos! Periodicamente publicarei aqui no blog algumas curiosidades da Ciência e Tecnologia. Ideias, descobertas e inventos que mudaram nossa forma de produzir, consumir e até mesmo de enxergar o mundo. A ideia é trazer esses conceitos de forma rigorosa, mas em linguagem simples. Uma ótima oportunidade para você ficar por dentro do mundo da Ciência e Tecnologia de forma séria e acessível.

Para abrir essa nova modalidade aqui no blog, escolhi uma curiosidade científica originária do trabalho do grande matemático e cientista Alan Turing. Antes de entrar no teste de Turing, vamos entender um pouco melhor quem foi esse grande homem e como sem a sua obra não seria possível muitas das tecnologias computacionais que temos hoje.

Alan Turing nasceu 23 de junho de 1912 em Londres. Desde de muito jovem, Turing mostrou talento para Ciências e Matemática. Era uma pessoa de hábitos muito regrados e gostava de esportes, em especial corrida. Graduou-se com louvor em Matemática na prestigiada Universidade de Cambridge. Embora sua formação fosse em Matemática, Turing era um polímata, uma pessoa que desenvolveu estudos em diversos campos. Turing tem estudos em: Criptografia, Matemática, Lógica, Computação, Biologia Teórica e Filosofia.

Turing é considerado o pai da computação moderna. Seus trabalhos em computação e criptografia foram essenciais para vitória dos países aliados contra a ofensiva nazista na Segunda Guerra Mundial. Turing era homossexual e como na Londres de sua época isso era considerado crime, sofreu castração química e perdeu seu posto e muito de seu prestígio, algo lamentável. Morreu aos 42 anos por envenenamento de cianeto. Há controvérsias sobre a morte de Turing, mas muitos dizem ter sido suicídio.

Passando para o tal teste de Turing, vejamos do que se trata. Em 1950, Turing publica um famoso artigo intitulado: “Computing Machinery and Intelligence”. Esse artigo é considerado por muitos como um artigo pioneiro na área de Inteligência Artificial. Nele, Turing coloca basicamente a seguinte questão: computadores pondem pensar? O conceito de “pensar” é algo muitas vezes diverso conforme o enfoque dado. Poderíamos refazer a questão da seguinte forma: pode um computador conseguir ter autonomia de pensamento similar a um ser humano?

No artigo Turing apresenta o seguinte teste. O teste consiste em colocar uma pessoa para conversar com um computador projetado para dar respostas em linguagem natural e com outro ser humano. Os dois seres humanos e o computador estão em ambientes separados, nos quais não é possível saber com quem estão conversando. Se não for possível distinguir as respostas do computador que participa do teste das respostas de um ser humano de forma categórica, diz-se que esse computador passou no teste de Turing.

Especialistas hoje dizem quase que em sua maioria que esse teste é muito frágil e que não pode avaliar a complexidade do que seria a Inteligência Artificial. No entanto, não nos esqueçamos que esse artigo foi escrito há 70 anos. Nessa época, era inimaginável tentar projetar uma realidade como a que temos hoje de forma segura. Não obstante, de forma alguma isso tira o pioneirismo de Turing. Todos que trabalham com Machine Learning e Inteligência Artificial sabem o quanto devemos a Turing por seus feitos. Foi sem dúvidas um homem notável e que sofreu pela ignorância de sua época. Obrigado Turing!

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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