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Eleições nos Estados Unidos: possíveis cenários para o Brasil


A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela.”

Winston Churchill

Churchill (ex-primeiro-ministro britânico e Nobel de Literatura) há décadas já alertava sobre o profundo paradoxo da democracia: um regime caro, lento, retórico, conflituoso e confuso. No entanto, é muito eficaz em criar pesos e contrapesos para limitar o poder de um grupo ou de uma pessoa. Quem sabe daqui a muitos anos olharemos para trás e veremos quão bobo ou quão genial era nosso apreço pela democracia. O tempo dirá!

Toda essa confusão foi vista nos últimos dias com a eleição americana, na qual “Joe” Biden sagrou-se vencedor em uma eleição muito apertada durante a maior parte da longa e tediosa apuração. Mesmo com seus mais de 200 anos de eleições democráticas, os Estados Unidos mostraram o quanto o regime democrático precisa ser constantemente aprimorado. Nunca há descanso, é como bater asas para manter-se no ar!

O eleitorado americano dá uma guinada em sua visão política e econômica frente aos rumos da nação com a vitória de Biden. O governo brasileiro, na figura do presidente Jair Bolsonaro, era declaradamente favorável ao modelo do presidente derrotado Donald Trump. Não somente isso, o presidente Bolsonaro declarou-se, por mais de uma vez, como partidário e amigo de Trump.

Com pretensões a ser um ator racional no jogo político-econômico, aos moldes de como projetou John von Neumann em seus estudos sobre Teoria dos Jogos, tentarei menos vincular minhas observações a paixões partidárias e mais a como as eleições americanas podem afetar nosso país no contexto geopolítico e, por consequência, nossa economia.

Se os analistas estiverem corretos, o novo presidente americano terá uma gestão mais voltada às questões de entidades globais como: meio ambiente, acordos mais abrangentes em relação à imigração, maior influência estatal na saúde, entre outras medidas bem distantes da política de Trump.

A relação da disputa hegemônica com a China parece ainda um tanto nebulosa. É possível que Biden faça acenos mais cordiais à superpotência asiática, mas não estou tão certo se essa guerra pela hegemonia mundial será tão amistosa assim. Afinal, os Estados Unidos não entregarão tão facilmente a hegemonia do mundo. Uma vez que sente-se o gosto pelo poder, é difícil se desvincular dele.

Ao Brasil parece existir três caminhos possíveis: 1- manter o modelo até o momento adotado de apoio a Trump, 2-tentar alinhar o modelo atual ao que Biden apresentar em seus primeiros meses de governo ou 3- posicionar-se de forma neutra e pensar nos benefícios da nação acima de qualquer modelo adotado pela potência americana.

Como em Economia não há caminhos simples, não será tão fácil uma decisão assim. É possível que para alguns temas uma posição entre as 3 seja mais vantajosa, para outros, outra posição seja mais favorável. A pergunta é: nosso governo terá cautela e estratégia para avaliar o cenário e a hora de jogar de uma forma ou outra? O que parece emergir no horizonte é que nosso presidente se manterá firme em sua posição de apoio a Trump e isso nos custará alguns percalços diplomáticos no cenário internacional. As cartas estão na mesa. All-in!?



Fernando Montini é cientista de dados, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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