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Enfim, 2021! E agora?



Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.”

Martin Luther King



É quase consenso que o ano passado foi um período difícil. Talvez para alguns poucos que tenham lucrado de alguma forma com a pandemia o ano tenha sido bom. Entretanto, para os meros mortais como nós, o ano foi de superações e desafios duros. Naturalmente, em um cenário assim, a chegada de um novo ano tem grande valor simbólico. Mas e agora? Como será? Os problemas não desaparecem do nada. O ano mudou, mas eles continuam lá. Não quero nesse artigo fazer previsões. Como bom cientista de dados, quero apenas dar uma “limpada” e organizar um pouco as informações.

Carl Sagan, o grande cientista e divulgador científico estadunidense, dizia com razão (ao meu ver) que a Ciência é mais do que um conjunto de conhecimentos, é uma forma de enxergar a vida. Eu levo essa premissa comigo sempre, como um fundamento sólido. Tenho a lógica-matemática em alta estima e a uso como modo de vida. No entanto, há alguma coisa que falta na frase de Sagan e que vem antes da lógica-matemática em certas situações. Essa coisa é a fé!

Sim, a fé. Não estou falando aqui no sentido teológico apenas, embora pessoalmente ele seja importante para mim. Eu falo fé antes da lógica porque sem a fé em algo não há o primeiro passo, a vontade inicial em começar. Sem fé, não nos levantamos da cama ao amanhecer. Sem um mínimo de fé, é impossível resistir nos momentos mais desafiadores.

O povo brasileiro tem fé em 2021 e isso é muito bom. Um primeiro passo para começar e vencer essa pandemia. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 68% dos brasileiros têm a convicção de que o ano 2021 será melhor que o ano de 2020. E por que isso é tão importante? Simplesmente porque essa fé, essa convicção é um motor muito potente em momentos de crise. A economia é movida pelo sentimento dos investidores e consumidores em relação ao cenário apresentado. Esse primeiro desafio da confiança parece estar sendo bem enfrentado. Vamos a um segundo desafio.

O segundo desafio que apresento aqui é algo menos filosófico e bem mais pragmático: desemprego. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país apresenta um desemprego de 14,6%. Em números, a massa de trabalhadores sem ocupação subiu 1,3 milhão em 3 meses. No acumulado do ano, o país perdeu 11, 3 milhões de postos de trabalho. Estima-se que o número de desempregados passe dos 14 milhões. Em cenários de calamidade como estamos, o movimento inicial pós-crise costuma ser muito promissor e de forte recuperação em termos econômicos. Há dezenas de estudos sobre séries temporais econômicas mostrando isso. No entanto, para a roda da economia voltar a girar, é preciso que as pessoas possam transitar, produzir, consumir, comprar, vender… e nada disso será possível sem a vacina. Inclusive, vacina é o próximo e último desafio que coloquei na minha lista para esse texto.

O mundo está em uma corrida para aprovar as vacinas e aplicá-las nas populações. Não tem outro jeito no curto prazo, a forma mais segura, eficaz e eficiente de controlar a pandemia é essa. Nesse quesito estamos em situação delicada. Há uma enorme briga entre correntes políticas pelo capital político da vacina. O Ministério da Saúde está completamente perdido com a dinâmica de compra e venda e com a logística para as vacinas. Sobre a postura do nosso presidente no caso, não há outra palavra para adjetivar além de: lamentável. Não obstante, a vontade popular e a vacinação em massa pelo mundo todo forçam os governos do país a se mexerem. Vejamos como as coisas ocorrem.

Temos muitos desafios à frente. No entanto, ao contrário dos primeiros meses do ano passado, os caminhos estão mais claros. Há algum sinal de luz no horizonte. Cabe a todos ir com fé e garra até a luz que sairemos dessa. Vamos à luta! Até mais!

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

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