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Fechamento da fábrica da Ford no Brasil: há culpados?



“O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar com mais inteligência.”

Henry Ford



Enquanto nossos irmãos amazonenses sofrem com a falta de oxigênio pelo descaso dos governos em diferentes esferas, outros brasileiros e suas famílias sofrem com a incerteza e o desemprego por conta do fechamento da Ford no Brasil. No entanto, se no caso do oxigênio os governos têm quase que a totalidade da culpa, no caso do fechamento da montadora, há fatores que não são totalmente culpa do governo.

Há décadas o Brasil tem baseado boa parte de suas políticas de subsídios e isenções fiscais no direcionamento a acordos com grandes montadoras de veículos. A própria Ford recebeu bilhões em isenções ao longo dos anos e tentava manter empregos e a produção de veículos. Mas como o Brasil consegue sempre arrumar um problema para cada solução devido a nossas habituais desorganizações e falta de planejamento, a politica de subsídios ao setor parece ter fracassado.

O primeiro e mais evidente motivo que levou a montadora a fugir para nossos vizinhos latinos foi o custo. Produzir algo no Brasil é um ato de heroísmo. Somos burocráticos, caros, confusos tributariamente falando e penalizamos com nossa ineficiência os empresários com um custo Brasil nada competitivo frente ao mercado global.

Na outra ponta, a do consumidor, quem já experimentou possuir um veículo no país sabe que é quase um assalto legalizado. Valores absurdos na compra e manutenção. Do ponto de vista da educação financeira e suas boas práticas, manter um carro é rasgar dinheiro. Isso dificulta e muito que a classe média mantenha o mercado aquecido e não contraia uma dívida impagável no médio e longo prazo.

No entanto, há um elemento fortíssimo que não é culpa necessariamente da máquina estatal e sua burocracia. O setor de grandes montadoras vem atravessando recentemente uma grande reformulação. Tecnologias de carros inteligentes e elétricos prometem uma verdadeira revolução para os próximos anos e fábricas que produzem carros nos moldes atuais têm que reorganizar suas linhas de produção e se reinventar se quiserem permanecer no jogo. Isso influencia diretamente na forma como a Ford e outras montadoras gerenciam seus parques industriais.

Por fim, outro grande problema é o atraso no quesito evolução econômica do qual somos frutos. Os países mais desenvolvidos deixaram há algum tempo de manter sua economia dependente de forma de exclusiva de grandes indústrias pesadas. Justamente porque a economia local fica dependente de uma única fonte e quando ela vai embora, os trabalhadores não têm para onde correr. É importante diversificar as atividades econômicas e focar constantemente na inovação. Minha solidariedade aos amazonenses e aos brasileiros em geral que perderam seu sustento e dignidade nessa pandemia. Dias melhores virão. Até mais.

Fernando Montini é cientista de dados ambientais, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia. Escreve para o blog sobre Tecnologia e Economia.

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