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Fim do auxílio emergencial, e agora?



Se todos os economistas fossem postos lado a lado, nunca chegariam a uma conclusão.”

George Bernard Shaw

Parafraseando Edgar Morin (pensador francês) - a Economia é a mais avançada matematicamente das humanidades ou Ciências Humanas. Há profunda verdade nessa afirmação, mas apesar de sua alta instrumentação matemática, ainda lida com problemas humanos e problemas humanos são quase sempre muito complexos.

O país entra em um desses problemas complexos: o fim do auxílio emergencial! Creio que até o mais racional dos seres humanos entende que em situação de pandemia, essa proteção social do Estado às camadas mais vulneráveis era necessária. Por outro lado, até mesmo o mais sentimental dos seres humanos, caso não seja ingênuo, sabe que o Estado tem seus limites orçamentários e não pode gastar indefinidamente.

Estamos bem no centro de uma segunda onda de Covid-19 que pode ser ainda mais dura que a primeira e sem perspectivas de vacinação efetiva nas primeiras semanas que seguem o fim do auxílio emergencial. Para além disso, o Estado brasileiro entrou em uma dívida monstruosa. Não há mágica: sem equilíbrio fiscal, não há estrutura econômica que tenha sustentabilidade.

O próprio presidente Bolsonaro sabe que sua popularidade foi fortemente sustentada pelo auxílio emergencial. Não há dúvidas que o mesmo pensa na perda do capital político. Todavia, não adianta também simplesmente abrir tudo e mais que dobrarmos os mais de 200 mil mortos já existentes. Como “engenheiro de obra pronta”, vou elencar algumas possibilidades e colocá-las aqui abaixo:



1- Manutenção e ampliação do já existente Bolsa Família (custo suportável ao Estado);

2- Uma equipe séria, especializada e com liberdade no Ministério da Saúde para voltar a coordenar campanhas de vacinação (isso para semana passada, nem para ontem);

3- Plano urgente e nacional de contenção para a segunda onda com cronograma bem estabelecido de reabertura dos serviços e comércios;

4- Discussão e aprovação urgente das reformas paradas que tanto se arrastam no Brasil, como a tributária por exemplo;

5- Pacote de medidas do Ministério da Economia para o fomento de empregos, desonerando os investidores e empreendedores.

Isso é suficiente? Pode dar certo? É aplicável no momento em que estamos? Não há como saber e como disse são alguns palpites. No entanto, esses simples e óbvios palpites parecem mais sensatos do que muitas coisas feitas pelos congressistas e membros do executivo. Estamos "em um mato sem cachorro" com nossos governantes, não é mesmo? Até mais!

Fernando Montini é cientista de dados ambientais, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

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