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O ceticismo e seus benefícios para a Política e a Economia




Vivemos em tempos de histeria política. Qualquer forma de enxergar a realidade precisa ser levada a extremos. As redes sociais como fenômeno de massa têm vocação ao movimento de manada. Elas deram voz aos que não tinham. Todo esse mundo de gente que antes falava apenas nos bares, esquinas, almoços de domingo… agora podem espalhar na rede todo seu ódio e suas frustrações.

A democratização de todos os espaços é boa e deve ser incentivada, mas ela tem seu preço. Os debates hoje são rasos, pobres em lógica e semântica. São rápidos como a velocidade das informações. Cada dia um novo fato para polarizar as opiniões e fazer levantar de suas catacumbas os “zumbis especialistas”. Um tipo de ser que repete jargões ad infinitum dentro de sua visão fechada de mundo. Normalmente varrem as redes sociais sedentos por discussões, xingamentos e “likes”. Há também a militância virtual de todos os lados. Cuidado com o que vai falar em! Não faça uma crítica, nem a abóboras. Irão surgir das catacumbas os “zumbis especialistas” ofendidos e criticar sua “aboborafobia” e soltar #somostodosabóboras.

Em tempos assim, claramente a Economia não passa ilesa. Rumos de eleições, formas de consumo e comportamento são moldados e impactam diretamente como as empresas tentam vender seus produtos e sua imagem. Tenho elementos muito contundentes para afirmar que um pouco de ceticismo com a política é um remédio amargo e preciso em nossos conturbados tempos. Vamos detalhar a questão!

O ceticismo como método de pensamento surge na Grécia Antiga. Um de seus primeiros grandes nomes foi Pirro de Elis (360-275 A.C.). O maior entre os gregos nessa corrente de pensamento foi o filósofo Sexto Empírico (260 A.C.). Essa corrente defende que a mente humana não é capaz de compreender e processar todos os dados da realidade e de que é preciso colocar em confronto diferentes teorias e pontos de vista para estabelecer fundamentos mais sólidos de entendimento da realidade.

Essa corrente de pensamento foi retomada na modernidade por pensadores muito próximos ao empirismo inglês. Autores como David Hume (1711-1776), Edmund Burke (1729-1797) e Michael Oakeshott (1901-1990) são alguns expoentes dessa corrente de pensamento. Em sua nova roupagem moderna, o ceticismo tomou formas próximas ao conservadorismo europeu.

O ceticismo político apresenta alguns elementos que nos servem para enfrentar as dificuldades mencionadas acima na política. O ceticismo nos ensina que os extremos podem apresentar profundos equívocos da realidade. Ele mostra também como o confronto de diferentes sistemas de pensamento podem revelar profundas e complexas contradições que são quase impossíveis de serem enxergadas por seguidores ferrenhos de uma outra teoria. Mostra, acima de tudo, que a razão humana é limitada e que as engenharias sociais advindas de projetos de idealização do homem, raramente entregam tudo que prometem. Claramente dizer a um “zumbi especialista” que a prudência analítica do ceticismo é um bom caminho para épocas de extremismos como a nossa é algo profundamente amargo e incômodo.

As empresas e agentes econômicos podiam aprender muito como ceticismo também. Ponderar bastante a quais ventos passageiros entregam suas marcas e seus produtos para ganhar vendas a qualquer custo é um ato de sabedoria nos tempos atuais. Em terra de “zumbis especialistas” quem tem um cético na equipe é rei! Até mais.

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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