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O inimigo silencioso: aumento de casos de problemas de saúde mental na pandemia


Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

Platão


Estamos próximos de uma época do ano que para maior parte da civilização ocidental é momento de jubilo: Natal e Réveillon. Uma época de festas, de luz, de renovação e esperança! Todavia, com iminência de uma segunda onda de casos de Covid-19 pelo mundo, parece que o medo e a ansiedade tomam conta do cenário mundial. Ainda mais com a recente notícia vinda de autoridades de saúde britânicas que relatam ter mapeado uma nova mutação do vírus, mutação essa que pode ser até 70% mais transmissível do que as mutações anteriores.

Há alguns meses, o Ministério da Saúde divulgou números de uma pesquisa sobre a saúde mental dos brasileiros na pandemia. O quadro não era dos mais reconfortantes e mostrava o lado silencioso e igualmente preocupante da pandemia: seus aspectos emocionais. A pesquisa contou com quase 17500 participantes e revelou que pelo menos 86% dos pesquisados relatou problemas com ansiedade em algum grau. Em torno de 45% apresentaram quadros de transtorno pós-traumático.

Muitos podem ser os fatores. Medo do futuro, aumento da violência doméstica, perda de entes queridos, excesso de notícias sobre os problemas do período, falência, problemas financeiros e uma infinidade de motivos que podem estar muitas vezes relacionados. Para além dos problemas decorrentes diretamente da pandemia, nós fabricamos nossas próprias crises em cima das crises já existentes. O contexto político no Brasil vem se deteriorando com sucessivos casos de corrupção com recursos destinados ao combate ao vírus. A isso soma-se a completa inépcia do nosso presidente, de grande parte dos congressistas e do poder judiciário em coordenar uma ação nacional para sairmos da crise…enfim, a lista é longa!

Como na alegoria de Platão, que sabiamente já nos dizia na alvorada do pensamento filosófico de nossa civilização, precisamos parar de olhar as sombras dentro da caverna e começar a sair olhar para luz, ainda mais em uma época tão iluminada como o Natal. Acho que falo por muitos, é hora de começar a procurar dias renovados! Até mais.

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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