Posts recentes

Por que o país falhou (também) com a Educação Básica na pandemia?


Não importa o viés político, todos concordam, pelo menos no discurso, que uma Educação Básica de qualidade é condição fundamental para uma nação atingir o pleno desenvolvimento de suas potencialidades. Todavia, não é só no plano ideológico que isso tornou-se consenso. Há uma enxurrada de estudos nas ciências da educação e na economia sobre o quão importante é o investimento na Educação Básica como forma de desenvolvimento humano.

Alemanha pós-guerra, Japão pós-guerra, Finlândia, Coreia do Sul... a lista de países que fizeram do ensino de qualidade e da inovação tecnológica um salto para o desenvolvimento em curto prazo vai longe. O Brasil ainda não está nesse grupo. Bate à porta a necessidade do letramento tecnológico e não resolvemos nem o letramento linguístico. É verdade que os indicadores das avaliações vinham mostrando um tímido avanço nos últimos anos, mas estamos com décadas de atraso.

Ainda não sabemos o tamanho do rombo. Assim que a pandemia passar e for possível avaliar com critérios técnicos e estatísticos, teremos a real dimensão do rombo. O Unicef estima que o país tenha perdido uma década com os problemas educacionais na pandemia.

A educação é um processo dentro da dinâmica dos sistemas sociais. Se um determinado cenário social é caótico, esse caos irá inevitavelmente para dentro da educação. O silêncio do Ministério da Educação na condução do enfrentamento das dificuldades educacionais na pandemia é gritante. Redes de ensino, escolas, pais, professores, funcionários, gestores... todos com ações isoladas e com recursos materiais reduzidos (e já escassos em tempos "normais") se debatem na areia movediça do cotidiano e assim submergem cada vez mais nos problemas que se acumulam.

Nas regiões e setores da sociedade com menos acesso a bens materiais e culturais, o estrago é ainda maior. Nesses casos, a ferida é ainda mais dolorosa e profunda, uma vez que além do acesso ao conhecimento, a escola muitas vezes protegia as novas gerações da violência, da carência afetiva e material. Daqui uns meses, de volta aos bancos escolares, tudo isso que está velado emergirá como questões a serem trabalhadas.

Hoje o centro do debate é a saúde e a economia. Quando a vacinação extremamente tardia chegar ao ponto de estabilização, olharemos para os outros setores que sofrem em silêncio com o negacionismo pelo qual estamos ancorados. Será a hora de criar novas formas de pensar em como reverter esse quadro. Por que falhamos também na educação nessa pandemia? Falhamos porque, a exemplo da saúde, estamos perdidos e sem critérios claros, científicos, técnicos de como amortizar a crise. A exemplo da economia, enfocamos os recursos de forma pouco eficiente. Alguém leu alguma grande iniciativa para um pacto tecnológico ou de proteção à educação na pandemia? Pois é, estamos órfãos também na educação.

Daqui uns meses escrevo como tem sido enfrentar a luta na educação pós-pandemia. Não se enganem, bolsonarismo ou lulopetismo, estamos nesse problema há décadas! Só agravamos o cenário com a pandemia. Um abraço.


Fernando Montini é programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia. Escreve para o blog sobre Tecnologia e Economia.






379 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
VEJA TAMBÉM