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Tecnologias e educação remota na pandemia: qual o tamanho do estrago?

Atualizado: 7 de dez. de 2020


Já tornou-se evidente que o ano de 2020 pegou a todos de surpresa com a explosão repentina de uma pandemia que devastou setores inteiros de atividades sociais e econômicas. Como a educação é uma área que reflete diretamente os movimentos da sociedade em geral, certamente não passaria ilesa a esse turbilhão.

Escolas e universidades de diferentes segmentos e públicos viram-se obrigadas a fechar as portas. Muitos cogitaram que seria um fechamento temporário, algumas semanas. Talvez um resquício de sentimento do que foi vivido poucos anos atrás com a H1N1. No entanto, os dias foram passando e virando semanas e, por fim, meses e nada voltou. A alternativa mais lógica era lançar mão de tecnologias de educação remota como a plataforma do Google for Education.

O problema é que uma massa inteira de profissionais da educação, alunos, familiares... não tinha o menor preparo para enfrentar essa situação. Tudo foi feito às pressas e o mundo da sala de aula precisou se reinventar. O impacto de tal mudança abrupta foi sentido de maneiras diferentes por públicos diferentes. É cedo para dimensionar o estrago e obter dados sobre os prejuízos educacionais e humanitários que esse processo criou, mas alguns elementos já são observados entre os especialistas.

Nota-se que o processo foi muito mais problemático nas camadas mais pobres da população. Os motivos são bem simples de imaginar. Boa parte das famílias não tem dispositivos ou acesso à internet de qualidade para poder acompanhar as atividades. Há também a situação que muitas famílias dependiam quase que exclusivamente da escola para que os seus filhos tivessem acesso a um ambiente com mínima rotina e organização para os estudos.

As análises prévias apontam que o impacto foi maior em alunos de menor faixa etária devido a pouca autonomia para gestão do seu desenvolvimento educativo. O Ensino Superior parece ter recebido o impacto com menor prejuízo. Muitas instituições de Ensino Superior no país já mantêm algum tipo de educação à distância em seus quadros, seja de forma total ou híbrida com ensino presencial.

Outra classe que paga caro com essa mudança são os professores e profissionais da educação. As redes não conseguem em sua maioria oferecer os recursos necessários para a atuação desses profissionais. Capacitação e disponibilização de tecnologias foi algo muito distante de grande parte dos professores. O jeito foi manter o trabalho com recursos do próprio bolso.

É também verdade que esse processo todo forçou um aprendizado para o trabalho com tecnologias para educação que demoraria muito mais tempo. Houve certamente a construção de saberes e de uma cultura do trabalho com tecnologias da educação. No entanto, isso parece ínfimo se comparado com o estrago causado.

Perda de aprendizagem, adoecimento, aumento da violência doméstica e por aí vai uma lista enorme. Só o distanciamento temporal nos permitirá avaliar e obter dados mais precisos sobre o que foi destruído nesse fechamento por meses das escolas pelo país. Suspeito fortemente que ainda vemos apenas a ponta o iceberg. Até mais!

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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