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Uma entidade chamada centrão



O Brasil é sem dúvidas um país de contrastes. Um país capaz de produzir “jabuticabas” que são encontradas apenas por aqui nas terras tupiniquins. Desde o estabelecimento da Constituição Federal de 1988, existe a suposição de que o regime em vigor no país seja o presidencialismo. Muito possivelmente na estrutura e no papel possa mesmo ser, mas na prática a teoria é outra! Nosso regime de governo está mais para o “centrãocialismo”, uma forma de governo baseada em uma estranha entidade política chamada de centrão.

É muito difícil explicar a um estrangeiro, por mais entendido de política que o mesmo possa ser, o que seja o centrão. Mesmo a um brasileiro, pode bem ser muito complicado entender o que seja essa entidade política. O centrão é um grupo de parlamentares não definido ideologicamente que atua na esfera federal e pertence a diversos partidos. Muitos desses parlamentares ligados a oligarquias políticas antigas e muitos com diversos processos e condenações em diversas esferas do judiciário. É um grupo ávido por poder, cargos e dinheiro. São eles que decidem os rumos da nação nas últimas décadas.

Não se engane, Lula e Dilma dialogaram e se submeteram muitas vezes ao centrão para realizar a gestão do país. Pagaram um preço muito caro com escândalos e, no caso de Dilma, com um impeachment. Para Lula, cadeia. Mesmo Michel Temer precisou vender o restante de seu governo para arrastar um mandato natimorto até o fim. Quiçá se também não fosse preso caso perdesse o mandato. Com presidentes e seus grupos políticos metidos em escândalos e crimes, o centrão tem ficado cada vez mais forte e mais faminto.

Bolsonaro, um deputado do baixo clero e de matriz conservadora (que de conservadora não tem nada, apenas mais uma jabuticaba dessas que só encontramos por aqui), elegeu-se com um discurso de acabar com as barganhas políticas com o centrão. Claro que sua eleição se deve também a outros fatores. Ele soube surfar em um vazio político. Chegando ao poder, viu-se em meio a escândalos envolvendo seus filhos. Somado a isso, sua completa inépcia para governar o país na pandemia e seu negacionismo levaram seu governo à beira do abismo.

Para manter seus filhos em segurança e seu mandato intacto, vendeu seu governo à entidade centrão. Resta-nos saber a que horas será traído! É como a história do sapo que levou o escorpião nas costas para ajudá-lo a atravessar o rio. Mesmo jurando que não o picaria, no meio da travessia, o escorpião o picou e morreram os dois afogados. Ao agonizar pelo veneno e se afogando, indagou o sapo: - mas você jurou não me picar?! Então, se afogando, responde o escorpião: - nada posso fazer, é minha natureza!

Até mais!

Fernando Montini é cientista de dados ambientais, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia. Escreve para o blog sobre Tecnologia e Economia.

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