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Usar reservas cambiais em tempos de pandemia: boa ou má ideia?



Recentemente, em evento promovido pelo Banco Bradesco, o Ministro da Economia Paulo Guedes colocou na mesa, entre outras propostas, a de que poderia usar parte das reservas cambiais para ajudar a equilibrar as contas públicas brasileiras que estão quase devorando todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país. O rombo nas contas chega a cifras astronômicas no ano 2020. Especialistas dizem que algo em torno de 1 trilhão de dólares americanos foram gastos esse ano.

Vamos esmiuçar um pouco mais essa questão! As reservas cambiais (algo em torno de 350 bilhões de dólares americanos) é uma reserva de dinheiro que o país possui para usar como garantia quando o câmbio da nossa moeda está em situação muito instável no cenário internacional. Essa reserva também pode ser utilizada no enfrentamento de alguma turbulência no mercado internacional que exija certa segurança monetária por parte do governo brasileiro. É como uma poupança para situações emergenciais frente a dificuldades externas.

É uma má ideia usar parte desse dinheiro na gestão fiscal interna? Em teoria, não! Mas não basta. Os juros da dívida custam muito para o Brasil e usar parte das reservas cambiais não seria a princípio algo tão perigoso ou ruim. É preciso usar com muito critério e parcimônia, mas é possível. Agora, só pegar essa grana toda e “fritá-la” com gastos que se multiplicam a cada ano, não é algo muito útil.

O gasto de reservas deve ser algo pontual de um ano atípico na história recente do país, mas só isso. O gasto dessas reservas deve vir atrelado a medidas como: privatizações, corte de gastos do Estado, reformas estruturais que se arrastam há décadas etc. O Brasil não tem feito sua lição de casa há muitos anos.

Paulo Guedes apontou essas necessidades em sua fala, mas seu discurso não parece estar muito alinhado com o do Presidente Bolsonaro. O Congresso Nacional não está alinhado com o Executivo nessas pautas e Guedes parece cada vez mais sozinho pregando no deserto da política nacional esse discurso de austeridade e controle fiscal. Parece mesmo é que a alienação do Chefe do Executivo e do Congresso permitirá que a dívida engula as reservas cambinais, o PIB e todos nós no processo. Tornou-se um buraco negro que nem a luz do equilíbrio fiscal escapará! Até mais!

Fernando Montini é cientista de dados, programador, pedagogo, químico industrial e mestre em Biologia.

Escreve para o blog sobre tecnologia na área de Ciência de Dados, Business Intelligence e Mercado Financeiro.

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